quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Obesidade infantil e educação física escolar.

Parte integrante do currículo escolar no ensino fundamental do nosso pais, a educação física, após muitas lutas e conquistas caminha para sua ressignificação e reconhecimento. Depois de passar por várias tendências e concepções pedagógicas como a busca de indivíduos fortes através de modelos ginásticos, o militarismo, a influência do movimento político do Estado Novo na década de 30, a Escola Nova na década de 40, a ênfase nos esportes na década de 70, ela busca sua identidade e parece encontrar quando abrange os eixos da cultura do movimento humano: lutas, dança e atividades rítmicas, esportes, jogos, brincadeiras e conhecimento sobre o corpo.
                Atualmente a educação física está alinhada com o projeto político pedagógico da escola, caminhando em harmonia com as demais disciplinas, conta com objetivos a serem atingidos, expectativas de aprendizagem e instrumentos de avaliação.
                Alguns conteúdos trabalhados na educação física pode se relacionar à saúde, nesse sentido não podemos fechar os olhos para o avanço galopante da obesidade entre crianças e adolescentes no Brasil. Dados oficiais indicam que somos o pais onde essa epidemia mais se desenvolveu. Nas últimas duas décadas os casos de obesidade infantil em nosso pais apresentou um aumento de 240%, esse número é cinco vezes maior do que os observados nos EUA, que atualmente ainda somam o maior número de crianças obesas do mundo, porém se nada for feito por aqui esse título nada honroso passará ao Brasil, em números percentuais.
                A LDB, Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional e nossa Constituição Federal garante a toda criança o direito de frequentar a escola, direito que se não for cumprido acarreta em punição aos seus responsáveis. Sendo assim, quase que a totalidade das crianças frequenta a escola. Na infância criamos hábitos e aprendemos sobre temas que nunca mais serão esquecidos se trabalhados de maneira correta.
                A escola passa a ser o melhor local para identificar as crianças em situação de sobrepeso e obesidade, ações mais contundentes de combate a esse problema não seriam viáveis no ambiente escolar, pois trata-se de uma questão complexa e de difícil tratamento que requer uma mobilização multidisciplinar, além disso a educação física tem que dar conta dos seus conteúdos relacionados á aprendizagem. Porém, a sondagem de peso e estatura e a classificação das crianças conforme seu IMC (índice de massa corporal) é uma ação possível de ser realizada pelo professor de educação física. Assim como ações direcionadas a prevenção, que ao meu ver é a ferramenta mais importante de combate à obesidade infantil.
                A educação física poderá ensinar os educandos sobre um estilo de vida saudável onde a atividade física venha fazer parte do seu dia a dia, dessa forma a criança apresentará maior possibilidade de se tornar um adulto fisicamente ativo. Práticas esportivas voltadas à performance e desempenho, não contemplam toda a gama de conteúdos da disciplina e talvez esse esporte trabalhado na escola não seja mais praticado na idade adulta. Se as demais disciplinas buscam criar hábitos, como o da leitura por exemplo, direcionando o aluno para a autonomia nos estudos, a educação física da mesma forma deve buscar a autonomia no campo motor, mas isso só será possível se houver uma fundamentação teórica.
                O sedentarismo é o responsável por grande parte dos casos de obesidade entre as crianças, ações de combate a essa falta de atividade física poderão ser trabalhadas na escola. A possibilidade de combinar aulas teóricas com vivências práticas fazem da educação física uma disciplina privilegiada.
Trabalhar os conteúdos relacionados à manutenção da saúde em forma de projeto envolvendo as crianças no processo de aprendizagem, elaborando objetivos a serem atingidos, estratégias de ensino, instrumentos de avaliação, confeccionando cartazes etc. sem dúvida seria uma parceria motivante para construir conhecimento a respeito do assunto. Quando a criança está envolvida na construção do projeto ela pode apresentar resposta surpreendentes, a ideia é que o educando, além de incorporar conceitos relacionados à importância da atividade física e da alimentação saudável para nossa saúde, possa vivenciar experiências motoras agradáveis, desvinculadas da performance que pode excluir determinadas crianças com repertório motor restrito. Além disso, uma vez que ele fez parte da construção desse projeto, o aluno se sente seguro e passa a ser um agente multiplicador das aprendizagens ocorridas no ambiente escolar.

Portanto, a escola parece ser um lócus privilegiado  para coes preventivas da obesidade infantil, também muito importante no sentido de identificar, através de sondagem, as crianças que estão em sobrepeso ou já desenvolveram a obesidade.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Prevenção e Tratamento da Obesidade Infantil


A obesidade é uma disfunção que assusta cada vez mais pelos seus índices, no Brasil e no mundo. O endocrinologista Dr. Alfredo Halpern ( chefe do grupo de Obesidade e Doenças Metabólicas do Serviço de Endocrinologia do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) lembra, como a maioria dos especialistas, que “obesidade não é falta de caráter ou sem-vergonhice”, é uma doença e deve ser tratada desta forma.


Segundo os dados da Organização Pan-Americana de Saúde, da SBEM, “os inquéritos populacionais têm registrado um alarmante aumento na incidência de obesidade no Brasil nas últimas três décadas”. O documento mostra que, entre 1975 e 1997, a prevalência da obesidade no Brasil aumentou de 8 para 13% em mulheres; de 3 para 7% em homens; e de 3 para 15% em crianças.

Estes números mostram que a prevalência de obesidade infanto-juvenil no Brasil subiu 240% nas últimas duas décadas. Para o endocrinologista pediátrico, Dr. Luiz Cláudio Castro, é fundamental investir a reeducação dos hábitos alimentares e de atividade física na população infantil. “A educação é o instrumento mais valioso e eficaz para bloquearmos este aumento na incidência da obesidade e suas complicações, de forma a evitarmos que se realize a previsão de que 35% da população adulta brasileira estará obesa em duas décadas (2025)”.

Não basta trabalhar apenas com informações nutricionais, mas estimular a atividade física. Além disso, ele enfatiza que a proposta não deve restringir o trabalho às crianças acima do peso. Todas devem estar envolvidas.

O Programa Escola Saudável tem trabalhado nestas esferas. Os dados preliminares, com mais de 2000 crianças da 1ª à 4ª série do ensino fundamental, em vários Estados brasileiros, mostram que cerca de 23% das crianças da 1 a à 4 a série do ensino fundamental apresentam excesso de peso (variando de 20 a 33% entre as Regiões), e a obesidade atinge cerca de 10% (variando de 5 a 12%), sendo os índices mais baixos no Nordeste e os mais altos no Sudeste e nas escolas particulares.

Desencadeadores

Causada principalmente pela ingestão inadequada de alimentos e falta da prática de exercícios físicos, a obesidade é também desencadeada por fatores ambientais, além de biológicos, hereditários e psicológicos. Seu tratamento requer um diagnóstico detalhado, orientação nutricional e mudanças no estilo de vida. Além disso, é necessário convencer a criança a se alimentar de forma diferente dos seus colegas.

Na fase de crescimento é muito importante que os pais estejam atentos. Brincadeiras de rua, em grupos, são positivas tanto para o físico quanto para o emocional. O incentivo destas atividades possibilita uma maior socialização. Afinal, o isolamento provocado pela obesidade é natural, por se acharem diferentes do seu grupo.

A principal causa da obesidade é ambiental: alimentação inadequada e pouca atividade física. Menos de 5% dos casos se deve a doenças endocrinológicas. A hereditariedade pode ser um fator de risco, mas ela só se manifesta se o ambiente permitir. Em outras palavras, a genética só se manifesta se o ambiente for favorável ao excesso de peso. O tratamento e acompanhamento das crianças com excesso de peso envolve vários aspectos e é sobretudo comportamental, enfocandoreeducação nutricional e mudanças no estilo de vida. Um ponto importante, toda a família deve estar envolvida, pois os pais, antes de mais nada, devem dar o exemplo.


A orientação nutricional deve ser diferenciada. O ideal é que seja prazerosa. É interessante, também, que vá sendo implantada aos poucos, sem ser radical. O importante é que, tanto os pais quanto os endocrinologistas, trabalhem para que a criança não se torne um adulto obeso. De acordo com dados publicados no livro “Pontos para o Gordo” do Dr. Alfredo Halpern, a criança obesa na puberdade tem 40% de chances de manter este quadro na vida adulta. No caso de adolescentes, esta chance aumenta para 70%.

Ainda segundo o especialista, o objetivo primordial do tratamento é que, no mínimo, a criança pare de engordar. “O ideal é alterar a alimentação diária de toda a família”, afirma. O Dr. Halpern indica que os cuidados com uma alimentação saudável devem ser aplicados desde o início da vida dos filhos. Pesquisas comprovam que os índices de obesidade crescem devido aos estilos de vida pouco saudáveis (com alimentação desregrada e sedentarismo).

Assim, ao identificar o ganho excessivo de peso nas crianças, procure orientação médica. Vale lembrar que cerca de 10% da obesidade infantil é causada por distúrbios endócrino-metabólicos. E, nestes casos, o diagnóstico e tratamento imediatos são ainda mais necessários.
O tema Epidemiologia e Prevenção da Obesidade Pediátrica será tratado no dia 26 de agosto, durante o XI Congresso Brasileiro de Obesidade – presidido pelo Dr. Walmir Coutinho - que já em cerca de 1500 inscritos. Opções para auxiliar pais e filhos na luta contra a obesidade e suas conseqüências é uma das prioridades.

O tema Epidemiologia e Prevenção da Obesidade Pediátrica será tratado no dia 26 de agosto, durante o XI Congresso Brasileiro de Obesidade – presidido pelo Dr. Walmir Coutinho - que já em cerca de 1500 inscritos. Opções para auxiliar pais e filhos na luta contra a obesidade e suas conseqüências é uma das prioridades.