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Mitos sobre obesidade infantil.

Atualmente não se pode negar que a obesidade entre crianças está presente em todas as camadas da sociedade, fato comprovado por alguns estudos nacionais e internacionais. Mas, vamos nos ater á nossa realidade, o Brasil é um dos países onde o número de crianças obesas cresceu assustadoramente nas últimas décadas, superando percentualmente até mesmo os E.U.A. Esse quadro leva a uma grande mobilização em torno do tema, que já se torna um problema de saúde pública. Dificilmente passamos um dia sem receber alguma informação sobre o excesso de peso das nossas crianças, dessa forma alguns mitos surgem a respeito dessa problemática.

O primeiro e talvez mais emblemático deles seja: criança gordinha é mais saudável, um mito antigo que não se sustenta mais nos dias atuais, o excesso de peso é prejudicial á nossa saúde em qualquer idade. Quando a obesidade surge na infância, a atenção tem que ser maior pois vários outros agravos podem ser facilitados pelo sobrepeso, como por exemplo: colesterol elevado, hipertensão arterial e diabetes tipo II, acarretando complicações de saúde já nas primeiras décadas de vida.
Outro mito bastante comum é: quando entrar na adolescência ele emagrece, um enorme erro, pois a criança acima do peso tem mais chances de se tornar um adolescente com sobrepeso e consequentemente um adulto obeso, não adianta ficar de braços cruzados esperando o estirão de crescimento resolva o problema.
Hereditário, o pai também era gordinho quando criança. A genética tem seu peso, porém, mais de 90% dos casos de obesidade são provocados por fatores exógenos (fora do organismo) ou seja, é o estilo de vida que vai prevalecer, se o pai era gordinho antigamente e o filho também é gordinho atualmente, talvez não seja culpa da genética e sim dos hábitos diários dessa família. O pensamento inverso também pode gerar outro mito: os pais são magros, então o filho nunca vai ser gordinho. Desmistificado pela conclusão acima, a genética é importante, mas em uma sociedade onde a alimentação hipercalórica, as facilidades tecnológicas e o sedentarismo estão fortemente presentes, o estilo de vida torna-se fundamental para o desenvolvimento da obesidade e suas complicações.
O problema está aí, presente em maior ou menor escala em quase todas as famílias brasileiras e é ela, a família, a grande chave para sua solução, não adianta tomar como desculpa qualquer um desses mitos e permitir que o problema se agrave. Para combater a obesidade infantil, o engajamento da família é essencial, uma criança não vai modificar sozinha seus hábitos diários, ela não tem autonomia para isso, nem a real consciência das conseqüências maléficas para sua saúde que o excesso de peso pode gerar. E se o problema é comportamental, uma mudança de comportamento se faz necessária para que o avanço da obesidade entre as crianças não continue.

 

Aspestos Psicológicos e a Obesidade Infantil.


Os aspectos psicológicos parecem estar presentes tanto nas causas quanto nas conseqüências da obesidade entre crianças. As causas são: dificuldades de adaptação e ansiedade. As conseqüências: não aceitação social, isolamento e baixo nível de auto-estima. A maioria dos estudos sobre obesidade infantil privilegia os aspectos clínicos da patologia. Porém, o excesso de peso em crianças quase sempre está acompanhado de transtornos psicossociais.Alguns transtornos psicológicos tais como depressão, ansiedade e dificuldade de ajustamento social podem ser observados em crianças obesas.Durante muito tempo acreditou-se que as crianças raramente apresentavam depressão. Atualmente existem evidências, de que transtornos depressivos também surgem durante a infância e não apenas na adolescência e na vida adulta. A obesidade apresenta uma estreita relação com a depressão infantil, estudos apontam que as crianças obesas apresentam uma maior tendência á depressão se comparadas as de peso normal. Não é fato raro crianças acima do peso se isolar em atividades individuais como computador, videogames e TVs. Situações em que seus atributos físicos não são colocados á prova. Os sintomas depressivos podem interferir na vida da criança de maneira intensa, prejudicando seu rendimento escolar e seu relacionamento familiar e social.Os transtornos de ansiedade não são muito comuns em crianças obesas. A ansiedade é um estado emocional com componentes psicológicos e fisiológicos, que faz parte do desenvolvimento do ser humano, podendo tornar-se patológico quando acontece de forma exagerada. Existem dois fatores que parecem prevenir a criança de transtornos de ansiedade, o grau de vaidade em uma criança não é o mesmo de um adulto, além disso, a criança não tem a exata noção das complicações que o excesso de peso poderá trazer no futuroVários estudos de obesidade em adultos mostram uma relação entre obesidade e ansiedade, destacando a ansiedade como um sintoma freqüente entre os obesos adultos. Fato que não significa uma vitória, pois esta criança obesa de hoje, se não for tratada, será o adulto obeso de amanhã, exposto além de outros, aos transtornos da ansiedade.A amargura emocional também é uma das complicações da obesidade infantil, visto que nossa sociedade enfatiza a aparência física e não vê uma pessoa obesa como sinônimo de beleza. Esse preconceito pode desencadear um processo de baixa auto-estima na criança, que se sente isolada do grupo e as vezes é isolada literalmente. Nesse contexto, a criança obesa sofre muito mais do que o adulto, pois não sabe agir diante de críticas depreciativas e os colegas por vezes não têm a dimensão do mau que estão causando ao excluir um colega acima do peso.


Práticas Motoras da Criança Obesa na Educação Física Escolar.

A cultura em que o ser humano está inserido norteia as diversas maneiras de se relacionar com o próprio corpo e com a sociedade. Sendo assim, a corporeidade do indivíduo revela sua singularidade, mas também possui características que o definem como membro de determinado grupo. O corpo é constantemente (re)criado e a escola é uma ferramenta importante nessa construção. O desenvolvimento motor é o resultado de uma incessante alteração no comportamento ao longo da vida, executado através das necessidades biológicas e as condições do ambiente .
A motricidade é responsável por proporcionar uma constante maturação orgânica.
O início da escolarização formal constitui uma mudança importante no desenvolvimento físico da criança. A escola significa o começo do período em que esta deverá aprender todas as competências e papéis específicos que são parte de sua cultura.
Com a famosa e benéfica “escola para todos”, atualmente quase todas as crianças estão frequentando os bancos escolares, sobretudo no estado de São Paulo, recebendo uma a gama de conhecimento que contribui para seu desenvolvimento, inclusive motor. Dentre os vários saberes escolares está a educação física que através da prática de movimentos corporais é a principal responsável pelo desenvolvimento motor.
No universo dos educandos há uma variedade de padrões corporais, crianças que apresentam um padrão corporal diferente do considerado normal parecem estar de forma direta ou indireta, total ou parcialmente, excluídas da oportunidade da prática de movimentos corporais. A obesidade pode ser um motivo pelo qual a criança apresente um baixo desenvolvimento motor, visto que uma de suas características está relacionada a um déficit psicomotor provocado por transtornos no esquema corporal. A criança obesa parece ser acometida pela insegurança em relação aos outros.
Há indícios de que a criança obesa ao participar de vivências motoras apresenta uma atividade claramente mais baixa se comparada á outra criança com peso normal. Dessa forma, a prática pode representar um esforço muito maior para quem está acima do peso, reduzindo o prazer pela atividade física.
As aulas de educação física escolar se apresentam na forma de cinco eixos principais que serão norteadores de todos os conteúdos trabalhados pela disciplina, são eles: jogos, lutas, ginástica, esportes e dança. Nesse contexto, subjetivamente, parece haver uma busca pelo bom desempenho dos alunos no que diz respeito ás atividades motoras, visto que, se a criança não apresentar uma boa base de movimentos, seu desenvolvimento motor ficará comprometido.
No cotidiano escolar, sobretudo nas aulas de educação física, se percebe que há determinadas crianças com dificuldades de lidar com o próprio corpo, nesse grupo muitas apresentam excesso de peso. Embora a escola tenha por obrigação oferecer a todos os educandos possibilidades igualitárias de desenvolvimento, não é tarefa fácil oportunizar as mesmas vivências corporais, visto que alunos obesos tendem a apresentar uma limitação em seus movimentos.
Nas últimas décadas, observa-se um aumento considerável dos casos de obesidade infantil. Estudos realizados em algumas cidades brasileiras indicam que o sobrepeso e a obesidade juntos atingem aproximadamente 30% das crianças em idade escolar. A escola, nesse contexto, parece surgir como elemento fundamental na prevenção desta problemática, todavia será que esse espaço está realmente sendo aproveitado pelas crianças que mais necessitam?
A obesidade infantil é um assunto relativamente novo, não há muitos estudos científicos sobre esse tema, mas nós como professores de educação física temos o dever de atentar para a questão e não tratar os alunos obesos como aqueles que não gostam da aula de educação física, mas entender o motivo da repulsa e criar estratégias para mudar esse quadro, pois a escola é elemento fundamental no combate a epidemia da obesidade infantil, mas é necessário que tenhamos ações efetivamente práticas.
Evolução da Obesidade Infantil no Brasil.











Obesidade infantil no contexto escolar




Com a famosa e benéfica “escola para todos”, atualmente quase todas as crianças estão frequentando os bancos escolares. Sendo assim, facilmente chegaremos á seguinte conclusão: se aproximadamente 40% das crianças brasileiras encontram-se acima do peso (pré-obesidade e obesidade), é claro que a escola contempla, em seu universo de alunos, também crianças em situação de sobrepeso e obesidade, ou seja, por volta de 40% dos alunos estão acima do peso ideal.
Mas como se desenvolvem as relações escolares? Como é o dia a dia de uma criança obesa dentro da escola? E sua convivência com os demais colegas, professores de classe e professores de educação física? Será que existe preconceito? Todos nós vivemos situações embaraçosas e constrangedoras, mas será que essas situações não são mais frequentes com as crianças em excesso de peso? E os apelidos, será que não fazem parte do universo escolar? Os alunos obesos não são vistos como um alvo para esses apelidos e brincadeiras?
Acredito que a resposta para quase todas as perguntas seja SIM. Mas deveria ser dessa forma? Agora a resposta é NÃO. Surge então uma nova pergunta: quem poderá transformar essa realidade? Sem dúvida nenhuma o professor.
Saber que existem diferenças entre as pessoas é fácil, trabalhar respeitando-as é o primeiro passo para amenizar essas situações. A escola está gradativamente se adequando na questão da inclusão, recebendo alunos com algum tipo de comprometimento e oferecendo-lhes o mesmo conteúdo dos demais, evidentemente que em alguns casos com adaptações, mas a idéia central é incluir esse aluno para que ele se desenvolva de uma maneira harmoniosa. Observa-se, principalmente nas aulas de educação física, que uma criança obesa em determinadas situações, se torna excluída, quer seja pelos colegas, quer seja pelo próprio professor (o que é inadmissível).
Não estou aqui dizendo que o obeso é portador de necessidades especiais, mas é certo que determinadas atividades físicas excluem essas crianças, que por conta do seu excesso de peso apresentam limitações em seus movimentos e até mesmo vergonha de participar das aulas, comportando-se de maneira isolada e repudiando situações que a exponham, mas a vontade dele certamente é de estar lá, participando junto com os demais. O professor diante dessa situação pode tomar dois caminhos opostos. O primeiro será aceitar essa recusa da criança, reforçando a idéias de que ele não gosta de participar das aulas de educação física. O segundo caminho a tomar, e mais correto na minha opinião, seria lançar mão de estratégias até mesmo modificando e adaptando regras para que todos participem, sem privilegiar a performance e sim valorizar o movimento, dando opções para que todos possam ter contato com uma variedade de possibilidades de se movimentar, usando os movimentos básicos fundamentais de locomoção, estabilizadores e manipulativos. Atividades lúdicas são fundamentais para que a motivação esteja presente. Dessa maneira os alunos terão a oportunidade de formar seu repertório motor, dentro das suas possibilidades, mas sobretudo, tendo mantido o direito de se movimentar, passando a fazer parte do grupo, mostrando para os demais e para ele próprio, que é capaz de executar as atividades e se relacionar positivamente com os colegas.
O professor de educação física é figura muito importante na formação geral do aluno, basta que o trabalho seja executado com responsabilidade.




Educação Física Escolar:
uma ferramenta no combate á obesidade.



Crianças obesas com freqüência tornam-se adultos obesos, devido, principalmente a um ritmo de atividades físicas reduzido ou inadequado. O sedentarismo facilita o surgimento de um grupo de complicações denominadas hipocinéticas, dentre as quais a obesidade vem se tornando a mais prevalente já é diagnosticada como uma doença, uma epidemia em desenvolvimento que recebe, ou deveria receber, atenção especial dos profissionais da área de saúde e educação, visto que ela certamente será a precursora de outros agravos na idade adulta.
A obesidade infantil vem apresentando um rápido aumento nas últimas décadas, isso é preocupante, pois algumas de suas complicações, como por exemplo o colesterol elevado, hipertensão arterial e diabetes do tipo II, que eram mais evidentes em adultos, hoje já podem ser observadas em crianças e adolescentes, o estilo de vida sedentário é um dos males do nosso país, além de ser, em grande parte dos casos, o responsável direto pelo desenvolvimento da obesidade em crianças, por essa razão o exercício físico deveria ser reconhecido como componente essencial em medidas profiláticas.
A escola me parece ser o local ideal para nós profissionais de educação física, desenvolvermos em conjunto com as demais disciplinas ações preventivas de combate a obesidade infantil. Nessa perspectiva, uma das funções da escola, em relação á pratica de atividades físicas, seria disponibilizar aos seus alunos informações e meios necessários para que essa prática possa ser incorporada por eles. Trata-se de um local onde as crianças, sem distinção, têm a oportunidade de beneficiar-se de uma atividade dirigida por um profissional graduado, com uma freqüência de duas vezes por semana. As aulas de educação física não podem mais se basear na prática inconsciente de esportes coletivos excludentes, que por muitas vezes nunca mais serão praticados passada a idade escolar.


Estamos falando de um componente curricular da educação básica, portanto, deve oferecer uma proposta articulada com algum interesse social que vá além das atividades competitivas. O que nossos alunos estão aprendendo nas aulas de educação física?
E se cabe á escola formar o futuro cidadão, conhecedor dos seus direitos e deveres do dia a dia, esta ação educativa, de criar hábitos saudáveis é plenamente justificável. Seria interessante que a conscientização das crianças sobre a importância da atividade física regular como uma das principais formas de prevenção de doenças estivesse inserida no conteúdo das aulas de educação física.
Atividades de caráter informativo e educativo através do currículo são ações possíveis de serem desenvolvidas no ambiente escolar. A compreensão dos benefícios provocados pelo exercício físico torna-se uma motivação para que essa prática deixe de ser sazonal, isso pode acontecer desde as primeiras séries do ensino fundamental, pois é na idade escolar que o ser humano cristaliza seus hábitos e cabe a nós professores oferecer-lhes oportunidades saudáveis.




























Exercício Físico para a criança obesa.


Não é nada fácil elaborar um programa de atividades físicas para crianças. A motivação assume papel fundamental nessa prática. A criança não é um adulto em miniatura, portanto torna-se quase impossível conseguir resultados através de exercícios em esteiras, bicicletas ergométricas ou aparelhos similares. É necessário que o profissional de educação física que se propõe a trabalhar com criança tenha criatividade, estimulando os pequenos a realizar exercícios de forma lúdica para que não percam a motivação e o interesse pela prática. Além disso deve ter conhecimento para conduzir esse esforço de maneira que provoque as adaptações fisiológicas planejadas sem causar danos, pois trata-se de ser em formação e qualquer erro na dosagem do treinamento poderá prejudicá-lo.


O organismo de uma criança é muito complexo e difere em muitos aspectos do organismo de um adulto, sendo assim, antes de iniciarmos um programa específico para diminuição da gordura corporal se faz necessária uma avaliação das capacidades funcionais dessas crianças, através de uma avaliação apenas cardiovascular, ou por uma avaliação da capacidade cardiorrespiratória: teste ergométrico e teste ergoespirométrico respectivamente. Tendo em mãos os resultados, o treinamento poderá encaminhar-se para uma individualidade, sem a qual não se consegue bons resultados quando se fala em redução de gordura corporal. Não se fala em perder peso para uma criança, o objetivo do treinamento, na maioria das vezes é estacionar o peso corporal e aguardar o aumento na estatura, assim o IMC (índice de massa corporal) se aproximará dos índices normais, a pressão de perder peso geralmente é muito pesada para uma criança.
A despeito de serem diferentes, o princípio de treinamento para uma criança é o mesmo de um adulto, ou seja, o valor da intensidade do treino para cada aluno é medido pela FC (freqüência cardíaca).


Estudos indicam que os limites de treinamento para crianças obesas devem girar em torno de 50% e 70% da reserva de freqüência cardíaca.
FC treinamento = (FC máxima - FC repouso) X (0,5 ou 0,7) + (FC rep).
Acredita-se que a freqüência ideal de treinamento seja três vezes por semana e que após três meses os resultados já podem ser percebidos, tanto pelos pais quanto pelas próprias crianças, mas alterações benéficas internas são notadas logos nas primeiras sessões.






Obesidade: escolha o caminho certo.


A obesidade é sem dúvida um dos resultados da “americanização” na alimentação do brasileiro, os hábitos alimentares compõem um fator de risco importantíssimo para o seu desenvolvimento, os fatores exógenos, onde se enquadram os hábitos diários são responsáveis por aproximadamente 98% dos casos registrados de excesso de peso.
Uma pessoa acima do peso convive com entraves na sua qualidade de vida, nas mais variadas situações: quando criança pode enfrentar problemas de relacionamento na escola, quando adolescente não é fato raro apresentar atitudes de isolamento como horas defronte a um computador ou televisão e na fase adulta além de limitações nos movimentos, preconceito e outras dificuldades, a probabilidade de surgirem seqüelas trazidas pela obesidade é grande.
Outro componente que acompanha a obesidade é um gasto financeiro elevado, tanto da pessoa que se encontra acima do peso quanto dos órgãos públicos da saúde, pois ela é considerada uma doença e como tal ajuda a aumentar o consumo de remédios e os casos de internações hospitalares em função de suas complicações associadas: diabetes tipo II, hipertensão, colesterol alto, problemas cárdio-vasculares etc...
Não há solução mágica para emagrecer, apesar de ser um mercado atraente do ponto de vista financeiro, remédios e shakes milagrosos provavelmente não farão efeito algum se os hábitos de vida não forem transformados e uma alimentação regrada aliada a atividades físicas não forem privilegiadas. É um processo lento e muitas vezes até penoso, pois mudar hábitos, principalmente de um adulto não é tarefa fácil, muito pelo contrário.
Quando a obesidade é detectada em crianças o resultado do tratamento a nível comportamental é melhor, é na infância que criamos muitos de nossos hábitos, é mais fácil criar um hábito do que modificá-lo.
A cultura do imediatismo prejudica muito, geralmente existe pressa em emagrecer e o apelo aos remédios milagrosos, dietas “malucas” elaboradas por leigos e até mesmo cirurgias de redução de estômago em idade muito precoce fazem parte da solução deixando em segundo plano uma estratégia saudável e duradoura para perder peso. “Porque ficar se matando em uma academia e deixar de comer tudo que mais gosto, se posso tomar um remedinho e em duas semanas perderei 10 quilos?”.
Enquanto pensamentos imediatistas prevalecerem, dificilmente venceremos a luta contra a obesidade. De um lado temos o tratamento com uma equipe multidisciplinar composta por médico, nutricionista, psicólogo e educador físico, que apresenta resultados saudáveis e duradouros, porém a longo prazo. De outro lado temos o poder financeiro e o comércio que que vendem promessas de emagrecimento imediato e sem nenhum esforço, porém com resultados questionáveis. (Alex Batalha Machado)








Obesidade Infantil é coisa séria.


Crianças acima do peso precisam de uma atenção especial, pois o excesso de gordura corporal pode desencadear doenças graves.Hoje em dia uma criança gordinha não é mais sinônimo de saúde, muito pelo contrário, está na hora de começar a repensar esses conceitos. A obesidade infantil tem preocupado os profissionais da área de saúde em todo o mundo. No Brasil, aproximadamente 15% das crianças encontram-se obesas, o que nos coloca entre os quatro países com maior incidência desse problema. Além da má alimentação e da falta de atividades físicas, a obesidade infantil também está associada a fatores genéticos, familiares, ambientais e psicológicos. Porém, o sedentarismo exerce papel fundamental nessa problemática. A medida que uma criança ingere mais calorias do que gasta ao longo do dia, a tendência é de armazenar este saldo de energia na forma de gordura. Quando ela pratica alguma atividade física, seu dia a dia e sua relação com a comida ficam mais agradáveis e sem muitas privações no campo alimentar.
A criança obesa pode desenvolver doenças comuns a pessoas adultas. Hipertensão arterial, dislipidemia (colesterol elevado), diabetes tipo II, arteriosclerose, enfarte e acidentes vasculares cerebrais são apenas algumas das enfermidades que podem acometer uma pessoa com excesso de peso.
O tratamento de uma criança obesa requer um acompanhamento multiprofissional, com médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de educação física atuando juntos, para contemplar todos os fatores etiológicos da obesidade. Porém, toda a família deverá ajudar no processo. É importante que os pais também adotem um estilo de vida saudável.
As crianças obesas têm 50% de chances de se tornarem adultos obesos, e adolescentes obesos cujos pais têm a doença, possuem 80% de chances de seguirem o mesmo caminho. Dados como estes apontam claramente o quanto é problemático e preocupante a situação da obesidade infantil. As complicações e o impacto que estas doenças causam na vida de uma criança vai muito além do que se pode imaginar, interferindo na auto-estima e podendo gerar distúrbios psicológicos, depressão, isolamento, ausência de convívio social, dependência de álcool ou drogas.
Uma vez adotado um estilo de vida saudável, a criança poderá ter uma vida tranqüila. Bons hábitos cultivados ainda na infância podem garantir um futuro saudável. (Alex Batalha Machado)




Obesidade infantil e hipertensão arterial.


Não é de hoje que a hipertensão arterial vem sendo uma preocupação para grande parte dos adultos. O número de pessoas com esta doença no mundo é extremamente elevado: aproximadamente um bilhão de pessoas com mais de 18 anos, sofrem desse mal. Por causa destas constatações, promovem-se campanhas de orientações e alerta, relativas aos males causados pela hipertensão e as medidas que devem ser seguidas para evitá-la.
Entretanto em relação à hipertensão arterial nas crianças, percebe-se que existe grande desconhecimento por parte da população em geral. A obesidade infantil é um importante “antecessor” de obesidade na vida adulta e de vários problemas de saúde, entre eles a hipertensão arterial. No entanto, muitos desses distúrbios têm aparecido já na infância. Ações preventivas, divulgação e informações relacionadas ao tema são escassas, o que leva a uma grande ignorância por parte dos pais, que poderiam contribuir muito para a diminuição desta moléstia na população infantil e evitar que se tornem futuros adultos hipertensos.
Sem dúvida a obesidade aumenta o risco de hipertensão ainda na infância, mesmo porque, ela nunca está sozinha, sendo geralmente acompanhada do sedentarismo e da má alimentação, que por sua vez são fatores de risco para inúmeras doenças. Estudos recentes apontam que crianças obesas ou com sobrepeso apresentam aproximadamente treze vezes mais possibilidades de desenvolver hipertensão arterial do que crianças com peso adequado. A hipertensão em uma criança pode desencadear alterações danosas ao organismo, como o aumento do coração e seu mau funcionamento, complicações renais e alterações nos vasos sangüíneos dos olhos, problemas que certamente serão agravados na idade adulta.
Sempre que falamos em doenças na infância, a palavra chave é profilaxia. Na existência de fatores de risco para a hipertensão arterial, é fundamental um diagnóstico precoce e ações preventivas nas primeiras etapas de vida. É necessário o esclarecimento dos profissionais de saúde, educadores e principalmente familiares no que diz respeito á cristalização de hábitos saudáveis para prevenção e tratamento da obesidade e suas complicações. O estilo de vida das crianças e adolescentes geralmente está associado aos hábitos dos pais. É importante que estes dêem o exemplo desde cedo  (Alex Batalha Machado)





Parece haver uma relutância em admitir o problema do excesso de peso, quando ele ocorre em seu filho, talvez por comodismo, já que estar acima do peso se tornou algo comum. Mas para o tratamento do sobrepeso e da obesidade infantil é fundamental o reconhecimento e a participação dos pais. Afinal, é quase impossível que as crianças resolvam este problema sozinhas.Dizer que criança gordinha é criança saudável faz parte do passado. Hoje é consenso que criança saudável é aquela que está dentro do seu peso e tem uma alimentação equilibrada. Estudos apontam para que: 80% das crianças obesas se tornarão adultos obesos. E quanto mais cedo essa obesidade se apresentar, mais doenças associadas a ela vão surgir. Diabetes, hipertensão arterial, aumento de colesterol e triglicérides levam a doenças do coração e problemas ortopédicos. Para saber se seu filho está acima do peso, o profissional de educação física irá calcular o IMC (peso dividido pela altura ao quadrado) e aplicá-lo a uma curva de crescimento. Com a atual fartura de alimentos de baixo valor nutricional e um estilo vida nada saudável, a obesidade infantil é uma realidade cada fez mais presente nas famílias brasileiras. Por esse motivo a atividade física, também sofre mudanças com o passar do tempo. Hoje em dia atividades em grupo como: futebol, voleibol, judô, balet etc... Podem surtir pouco efeito no combate ao sobrepeso e a obesidade infantil, pois as necessidades físicas das crianças são diferentes e a carga de exercício durante um treinamento é a mesma para todos. O ideal é atividade física personalizada, até para a criança, dessa forma será extraído o maior benefício fisiológico de cada exercício físico, e as metas serão alcançadas com maior facilidade. (Alex Batalha Machado)

Criança obesa, adolescente infeliz, adulto doente.

Nos dias atuais, os adventos da chamada vida moderna nos proporcionam muito conforto, mesmo para abrir o vidro de um carro basta apertar um simples botão, os espaços para brincadeiras de criança estão cada dia mais restritos, tanto como conseqüência da urbanização, quanto pelo medo da violência por parte dos pais. As crianças brincam dentro de casa ou dos minúsculos apartamentos em frente aos videogames e computadores, comendo uma tigela de pipoca ou um pacote de bolacha recheada acompanhada de um refrigerante. Os alimentos mais consumidos por elas são industrializados com grande teor calórico e pouco valor nutritivo, ou seja, os hábitos cultivados por esta geração infanto-juvenil convergem para o acúmulo de gordura corporal, desencadeando o sobrepeso e a obesidade em idades cada vez menores.
Depois de instalada, a obesidade deixa portas abertas para outras morbidades, o colesterol, a hipertensão e o diabetes são os mais preocupantes, pois agem de maneira assintomática por um longo período, danificando órgãos fundamentais. E a convivência com uma dessas co-morbidades da obesidade pode provocar sérias complicações com o passar dos anos.
Uma criança obesa aos oito anos de idade, por exemplo, que desenvolve uma complicação associada ao excesso de peso, não irá perceber os sintomas de imediato, mas seus efeitos maléficos certamente estarão presentes, dificultando o funcionamento de órgãos importantes como rins e coração. Essa mesma pessoa quando estiver com quarenta anos de idade, se não tiver mudado seus hábitos, terá sofrido os efeitos da obesidade e suas complicações por trinta e dois anos consecutivos.
Nas gerações passadas onde a vida sedentária não imperava entre as crianças e a oferta de alimentos industrializados não era exagerada, problemas como hipertensão e colesterol alto se manifestavam por volta da sexta década de vida, sendo inclusive, mais facilmente tratados.
Se atitudes práticas não forem tomadas imediatamente, logo estaremos vivendo uma geração onde muitos filhos morrerão antes dos pais em conseqüência de problemas relacionados á obesidade. Como diz a música: “alguma coisa está fora da ordem”. É realmente chocante, mas também é uma realidade cada vez mais presente na família brasileira. Esse problema no Brasil já é caso de saúde pública, ações preventivas se fazem necessárias, inclusive por parte dos governantes. A consciência do que se deve fazer para evitar o acúmulo de gordura nas crianças é de conhecimento da população em geral, o que falta são ações efetivamente práticas. A obesidade é um problema comportamental, na grande maioria dos casos, portanto não se pode resolvê-la apenas na teoria e sim com mudanças no comportamento. (Alex Batalha Machado).


Mitos sobre a obesidade infantil.


Atualmente não se pode negar que a obesidade entre crianças está presente em todas as camadas da sociedade, fato comprovado por alguns estudos nacionais e internacionais. Mas, vamos nos ater á nossa realidade, o Brasil é um dos países onde o número de crianças obesas cresceu assustadoramente nas últimas décadas, superando percentualmente até mesmo os E.U.A. Esse quadro leva a uma grande mobilização em torno do tema, que já se torna um problema de saúde pública. Dificilmente passamos um dia sem receber alguma informação sobre o excesso de peso das nossas crianças, dessa forma alguns mitos surgem a respeito dessa problemática.


O primeiro e talvez mais emblemático deles seja: criança gordinha é mais saudável, um mito antigo que não se sustenta mais nos dias atuais, o excesso de peso é prejudicial á nossa saúde em qualquer idade. Quando a obesidade surge na infância, a atenção tem que ser maior pois vários outros agravos podem ser facilitados pelo sobrepeso, como por exemplo: colesterol elevado, hipertensão arterial e diabetes tipo II, acarretando complicações de saúde já nas primeiras décadas de vida.
Outro mito bastante comum é: quando entrar na adolescência ele emagrece, um enorme erro, pois a criança acima do peso tem mais chances de se tornar um adolescente com sobrepeso e consequentemente um adulto obeso, não adianta ficar de braços cruzados esperando o estirão de crescimento resolva o problema.
Hereditário, o pai também era gordinho quando criança. A genética tem seu peso, porém, mais de 90% dos casos de obesidade são provocados por fatores exógenos (fora do organismo) ou seja, é o estilo de vida que vai prevalecer, se o pai era gordinho antigamente e o filho também é gordinho atualmente, talvez não seja culpa da genética e sim dos hábitos diários dessa família. O pensamento inverso também pode gerar outro mito: os pais são magros, então o filho nunca vai ser gordinho. Desmistificado pela conclusão acima, a genética é importante, mas em uma sociedade onde a alimentação hipercalórica, as facilidades tecnológicas e o sedentarismo estão fortemente presentes, o estilo de vida torna-se fundamental para o desenvolvimento da obesidade e suas complicações.
O problema está aí, presente em maior ou menor escala em quase todas as famílias brasileiras e é ela, a família, a grande chave para sua solução, não adianta tomar como desculpa qualquer um desses mitos e permitir que o problema se agrave. Para combater a obesidade infantil, o engajamento da família é essencial, uma criança não vai modificar sozinha seus hábitos diários, ela não tem autonomia para isso, nem a real consciência das conseqüências maléficas para sua saúde que o excesso de peso pode gerar. E se o problema é comportamental, uma mudança de comportamento se faz necessária para que o avanço da obesidade entre as crianças não continue.

Aspestos Psicológicos e a Obesidade Infantil.


Os aspectos psicológicos parecem estar presentes tanto nas causas quanto nas conseqüências da obesidade entre crianças. As causas são: dificuldades de adaptação e ansiedade. As conseqüências: não aceitação social, isolamento e baixo nível de auto-estima. A maioria dos estudos sobre obesidade infantil privilegia os aspectos clínicos da patologia. Porém, o excesso de peso em crianças quase sempre está acompanhado de transtornos psicossociais.Alguns transtornos psicológicos tais como depressão, ansiedade e dificuldade de ajustamento social podem ser observados em crianças obesas.Durante muito tempo acreditou-se que as crianças raramente apresentavam depressão. Atualmente existem evidências, de que transtornos depressivos também surgem durante a infância e não apenas na adolescência e na vida adulta. A obesidade apresenta uma estreita relação com a depressão infantil, estudos apontam que as crianças obesas apresentam uma maior tendência á depressão se comparadas as de peso normal. Não é fato raro crianças acima do peso se isolar em atividades individuais como computador, videogames e TVs. Situações em que seus atributos físicos não são colocados á prova. Os sintomas depressivos podem interferir na vida da criança de maneira intensa, prejudicando seu rendimento escolar e seu relacionamento familiar e social.Os transtornos de ansiedade não são muito comuns em crianças obesas. A ansiedade é um estado emocional com componentes psicológicos e fisiológicos, que faz parte do desenvolvimento do ser humano, podendo tornar-se patológico quando acontece de forma exagerada. Existem dois fatores que parecem prevenir a criança de transtornos de ansiedade, o grau de vaidade em uma criança não é o mesmo de um adulto, além disso, a criança não tem a exata noção das complicações que o excesso de peso poderá trazer no futuroVários estudos de obesidade em adultos mostram uma relação entre obesidade e ansiedade, destacando a ansiedade como um sintoma freqüente entre os obesos adultos. Fato que não significa uma vitória, pois esta criança obesa de hoje, se não for tratada, será o adulto obeso de amanhã, exposto além de outros, aos transtornos da ansiedade.A amargura emocional também é uma das complicações da obesidade infantil, visto que nossa sociedade enfatiza a aparência física e não vê uma pessoa obesa como sinônimo de beleza. Esse preconceito pode desencadear um processo de baixa auto-estima na criança, que se sente isolada do grupo e as vezes é isolada literalmente. Nesse contexto, a criança obesa sofre muito mais do que o adulto, pois não sabe agir diante de críticas depreciativas e os colegas por vezes não têm a dimensão do mau que estão causando ao excluir um colega acima do peso.

 

Práticas Motoras da Criança Obesa na Educação Física Escolar.


A cultura em que o ser humano está inserido norteia as diversas maneiras de se relacionar com o próprio corpo e com a sociedade. Sendo assim, a corporeidade do indivíduo revela sua singularidade, mas também possui características que o definem como membro de determinado grupo. O corpo é constantemente (re)criado e a escola é uma ferramenta importante nessa construção. O desenvolvimento motor é o resultado de uma incessante alteração no comportamento ao longo da vida, executado através das necessidades biológicas e as condições do ambiente .
A motricidade é responsável por proporcionar uma constante maturação orgânica.
O início da escolarização formal constitui uma mudança importante no desenvolvimento físico da criança. A escola significa o começo do período em que esta deverá aprender todas as competências e papéis específicos que são parte de sua cultura.
Com a famosa e benéfica “escola para todos”, atualmente quase todas as crianças estão frequentando os bancos escolares, sobretudo no estado de São Paulo, recebendo uma a gama de conhecimento que contribui para seu desenvolvimento, inclusive motor. Dentre os vários saberes escolares está a educação física que através da prática de movimentos corporais é a principal responsável pelo desenvolvimento motor.
No universo dos educandos há uma variedade de padrões corporais, crianças que apresentam um padrão corporal diferente do considerado normal parecem estar de forma direta ou indireta, total ou parcialmente, excluídas da oportunidade da prática de movimentos corporais. A obesidade pode ser um motivo pelo qual a criança apresente um baixo desenvolvimento motor, visto que uma de suas características está relacionada a um déficit psicomotor provocado por transtornos no esquema corporal. A criança obesa parece ser acometida pela insegurança em relação aos outros.
Há indícios de que a criança obesa ao participar de vivências motoras apresenta uma atividade claramente mais baixa se comparada á outra criança com peso normal. Dessa forma, a prática pode representar um esforço muito maior para quem está acima do peso, reduzindo o prazer pela atividade física.
As aulas de educação física escolar se apresentam na forma de cinco eixos principais que serão norteadores de todos os conteúdos trabalhados pela disciplina, são eles: jogos, lutas, ginástica, esportes e dança. Nesse contexto, subjetivamente, parece haver uma busca pelo bom desempenho dos alunos no que diz respeito ás atividades motoras, visto que, se a criança não apresentar uma boa base de movimentos, seu desenvolvimento motor ficará comprometido.
No cotidiano escolar, sobretudo nas aulas de educação física, se percebe que há determinadas crianças com dificuldades de lidar com o próprio corpo, nesse grupo muitas apresentam excesso de peso. Embora a escola tenha por obrigação oferecer a todos os educandos possibilidades igualitárias de desenvolvimento, não é tarefa fácil oportunizar as mesmas vivências corporais, visto que alunos obesos tendem a apresentar uma limitação em seus movimentos.
Nas últimas décadas, observa-se um aumento considerável dos casos de obesidade infantil. Estudos realizados em algumas cidades brasileiras indicam que o sobrepeso e a obesidade juntos atingem aproximadamente 30% das crianças em idade escolar. A escola, nesse contexto, parece surgir como elemento fundamental na prevenção desta problemática, todavia será que esse espaço está realmente sendo aproveitado pelas crianças que mais necessitam?
A obesidade infantil é um assunto relativamente novo, não há muitos estudos científicos sobre esse tema, mas nós como professores de educação física temos o dever de atentar para a questão e não tratar os alunos obesos como aqueles que não gostam da aula de educação física, mas entender o motivo da repulsa e criar estratégias para mudar esse quadro, pois a escola é elemento fundamental no combate a epidemia da obesidade infantil, mas é necessário que tenhamos ações efetivamente práticas.

 



Mitos sobre obesidade infantil.

Atualmente não se pode negar que a obesidade entre crianças está presente em todas as camadas da sociedade, fato comprovado por alguns estudos nacionais e internacionais. Mas, vamos nos ater á nossa realidade, o Brasil é um dos países onde o número de crianças obesas cresceu assustadoramente nas últimas décadas, superando percentualmente até mesmo os E.U.A. Esse quadro leva a uma grande mobilização em torno do tema, que já se torna um problema de saúde pública. Dificilmente passamos um dia sem receber alguma informação sobre o excesso de peso das nossas crianças, dessa forma alguns mitos surgem a respeito dessa problemática.

O primeiro e talvez mais emblemático deles seja: criança gordinha é mais saudável, um mito antigo que não se sustenta mais nos dias atuais, o excesso de peso é prejudicial á nossa saúde em qualquer idade. Quando a obesidade surge na infância, a atenção tem que ser maior pois vários outros agravos podem ser facilitados pelo sobrepeso, como por exemplo: colesterol elevado, hipertensão arterial e diabetes tipo II, acarretando complicações de saúde já nas primeiras décadas de vida.
Outro mito bastante comum é: quando entrar na adolescência ele emagrece, um enorme erro, pois a criança acima do peso tem mais chances de se tornar um adolescente com sobrepeso e consequentemente um adulto obeso, não adianta ficar de braços cruzados esperando o estirão de crescimento resolva o problema.
Hereditário, o pai também era gordinho quando criança. A genética tem seu peso, porém, mais de 90% dos casos de obesidade são provocados por fatores exógenos (fora do organismo) ou seja, é o estilo de vida que vai prevalecer, se o pai era gordinho antigamente e o filho também é gordinho atualmente, talvez não seja culpa da genética e sim dos hábitos diários dessa família. O pensamento inverso também pode gerar outro mito: os pais são magros, então o filho nunca vai ser gordinho. Desmistificado pela conclusão acima, a genética é importante, mas em uma sociedade onde a alimentação hipercalórica, as facilidades tecnológicas e o sedentarismo estão fortemente presentes, o estilo de vida torna-se fundamental para o desenvolvimento da obesidade e suas complicações.
O problema está aí, presente em maior ou menor escala em quase todas as famílias brasileiras e é ela, a família, a grande chave para sua solução, não adianta tomar como desculpa qualquer um desses mitos e permitir que o problema se agrave. Para combater a obesidade infantil, o engajamento da família é essencial, uma criança não vai modificar sozinha seus hábitos diários, ela não tem autonomia para isso, nem a real consciência das conseqüências maléficas para sua saúde que o excesso de peso pode gerar. E se o problema é comportamental, uma mudança de comportamento se faz necessária para que o avanço da obesidade entre as crianças não continue.

 

Aspestos Psicológicos e a Obesidade Infantil.

Os aspectos psicológicos parecem estar presentes tanto nas causas quanto nas conseqüências da obesidade entre crianças. As causas são: dificuldades de adaptação e ansiedade. As conseqüências: não aceitação social, isolamento e baixo nível de auto-estima. A maioria dos estudos sobre obesidade infantil privilegia os aspectos clínicos da patologia. Porém, o excesso de peso em crianças quase sempre está acompanhado de transtornos psicossociais.Alguns transtornos psicológicos tais como depressão, ansiedade e dificuldade de ajustamento social podem ser observados em crianças obesas.Durante muito tempo acreditou-se que as crianças raramente apresentavam depressão. Atualmente existem evidências, de que transtornos depressivos também surgem durante a infância e não apenas na adolescência e na vida adulta. A obesidade apresenta uma estreita relação com a depressão infantil, estudos apontam que as crianças obesas apresentam uma maior tendência á depressão se comparadas as de peso normal. Não é fato raro crianças acima do peso se isolar em atividades individuais como computador, videogames e TVs. Situações em que seus atributos físicos não são colocados á prova. Os sintomas depressivos podem interferir na vida da criança de maneira intensa, prejudicando seu rendimento escolar e seu relacionamento familiar e social.Os transtornos de ansiedade não são muito comuns em crianças obesas. A ansiedade é um estado emocional com componentes psicológicos e fisiológicos, que faz parte do desenvolvimento do ser humano, podendo tornar-se patológico quando acontece de forma exagerada. Existem dois fatores que parecem prevenir a criança de transtornos de ansiedade, o grau de vaidade em uma criança não é o mesmo de um adulto, além disso, a criança não tem a exata noção das complicações que o excesso de peso poderá trazer no futuroVários estudos de obesidade em adultos mostram uma relação entre obesidade e ansiedade, destacando a ansiedade como um sintoma freqüente entre os obesos adultos. Fato que não significa uma vitória, pois esta criança obesa de hoje, se não for tratada, será o adulto obeso de amanhã, exposto além de outros, aos transtornos da ansiedade.A amargura emocional também é uma das complicações da obesidade infantil, visto que nossa sociedade enfatiza a aparência física e não vê uma pessoa obesa como sinônimo de beleza. Esse preconceito pode desencadear um processo de baixa auto-estima na criança, que se sente isolada do grupo e as vezes é isolada literalmente. Nesse contexto, a criança obesa sofre muito mais do que o adulto, pois não sabe agir diante de críticas depreciativas e os colegas por vezes não têm a dimensão do mau que estão causando ao excluir um colega acima do peso.

Práticas Motoras da Criança Obesa na Educação Física Escolar.


A cultura em que o ser humano está inserido norteia as diversas maneiras de se relacionar com o próprio corpo e com a sociedade. Sendo assim, a corporeidade do indivíduo revela sua singularidade, mas também possui características que o definem como membro de determinado grupo. O corpo é constantemente (re)criado e a escola é uma ferramenta importante nessa construção. O desenvolvimento motor é o resultado de uma incessante alteração no comportamento ao longo da vida, executado através das necessidades biológicas e as condições do ambiente .
A motricidade é responsável por proporcionar uma constante maturação orgânica.
O início da escolarização formal constitui uma mudança importante no desenvolvimento físico da criança. A escola significa o começo do período em que esta deverá aprender todas as competências e papéis específicos que são parte de sua cultura.
Com a famosa e benéfica “escola para todos”, atualmente quase todas as crianças estão frequentando os bancos escolares, sobretudo no estado de São Paulo, recebendo uma a gama de conhecimento que contribui para seu desenvolvimento, inclusive motor. Dentre os vários saberes escolares está a educação física que através da prática de movimentos corporais é a principal responsável pelo desenvolvimento motor.
No universo dos educandos há uma variedade de padrões corporais, crianças que apresentam um padrão corporal diferente do considerado normal parecem estar de forma direta ou indireta, total ou parcialmente, excluídas da oportunidade da prática de movimentos corporais. A obesidade pode ser um motivo pelo qual a criança apresente um baixo desenvolvimento motor, visto que uma de suas características está relacionada a um déficit psicomotor provocado por transtornos no esquema corporal. A criança obesa parece ser acometida pela insegurança em relação aos outros.
Há indícios de que a criança obesa ao participar de vivências motoras apresenta uma atividade claramente mais baixa se comparada á outra criança com peso normal. Dessa forma, a prática pode representar um esforço muito maior para quem está acima do peso, reduzindo o prazer pela atividade física.
As aulas de educação física escolar se apresentam na forma de cinco eixos principais que serão norteadores de todos os conteúdos trabalhados pela disciplina, são eles: jogos, lutas, ginástica, esportes e dança. Nesse contexto, subjetivamente, parece haver uma busca pelo bom desempenho dos alunos no que diz respeito ás atividades motoras, visto que, se a criança não apresentar uma boa base de movimentos, seu desenvolvimento motor ficará comprometido.
No cotidiano escolar, sobretudo nas aulas de educação física, se percebe que há determinadas crianças com dificuldades de lidar com o próprio corpo, nesse grupo muitas apresentam excesso de peso. Embora a escola tenha por obrigação oferecer a todos os educandos possibilidades igualitárias de desenvolvimento, não é tarefa fácil oportunizar as mesmas vivências corporais, visto que alunos obesos tendem a apresentar uma limitação em seus movimentos.
Nas últimas décadas, observa-se um aumento considerável dos casos de obesidade infantil. Estudos realizados em algumas cidades brasileiras indicam que o sobrepeso e a obesidade juntos atingem aproximadamente 30% das crianças em idade escolar. A escola, nesse contexto, parece surgir como elemento fundamental na prevenção desta problemática, todavia será que esse espaço está realmente sendo aproveitado pelas crianças que mais necessitam?
A obesidade infantil é um assunto relativamente novo, não há muitos estudos científicos sobre esse tema, mas nós como professores de educação física temos o dever de atentar para a questão e não tratar os alunos obesos como aqueles que não gostam da aula de educação física, mas entender o motivo da repulsa e criar estratégias para mudar esse quadro, pois a escola é elemento fundamental no combate a epidemia da obesidade infantil, mas é necessário que tenhamos ações efetivamente práticas.