quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Obesiadade infantil, prevenção na escola.

A obesidade na infância e adolescência é o problema de ordem nutricional e comportamental que mais rapidamente cresce no mundo inteiro, no Brasil não é diferente. Aqui, já temos mais crianças obesas do que desnutridas, pesquisas mais recentes apontam que aproximadamente 40% dos jovens brasileiros estão acima do peso ideal.

Este quadro alerta para uma série de complicações que a obesidade pode acarretar, tanto para a saúde atual da criança, quanto como fator de risco para doenças do adulto, além de problemas de relacionamento na escola.

Como a obesidade é uma doença de difícil tratamento, a grande arma que possuímos é a prevenção. A escola parece ser o melhor local para ações preventivas da obesidade por uma série de motivos: hoje em dia quase a totalidade das crianças freqüenta a escola, a educação física é matéria obrigatória inserida na grade curricular, os alunos têm pelo menos dois encontros semanais com os professores de educação física, que estão habilitados para tratar com muita propriedade o assunto e, além de tudo, é nessa idade que os hábitos se cristalizam e intervenções teóricas e práticas no sentido da prevenção se tornam muito oportunas.

Porém, se a obesidade infantil já estiver instalada, dificilmente as aulas de educação física escolar irão resolver o problema. Nesse caso a intervenção deve ser personalizada, com um tratamento multidisciplinar onde o educador físico assume papel importantíssimo.
Mudanças de hábitos, não só das crianças, mas principalmente da família.
Dietas, nessa fase da vida não são recomendadas, pois as crianças não têm estrutura emocional para lidar com esse tipo de situação, por outro lado, não é nada fácil negar uma guloseima a um filho. Nesse sentido, a atividade física individualizada é fundamental, pois além de outros benefícios ela vai agir de maneira benéfica no balanço energético, fazendo com que as privações alimentares sejam minimizadas.
Portanto, a prevenção pode e deve ser feita na escola, mas depois de instalada a obesidade na criança, há necessidade de um tratamento multidisciplinar e a atividade física deve ser individualizada e voltada para as necessidades de cada um, caso contrário não surtirá o efeito desejado.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Vida sedentária deve ser combatida desde a infância.

Com a evolução da tecnologia, é muito comum crianças e adolescentes substituírem atividades que demandam gasto energético pelas brincadeiras automatizadas. É freqüente vê-las por horas na frente da televisão ou do computador, jogando videogame ou navegando na internet. Na maioria das vezes, essas atividades são praticadas consumindo petiscos nada saudáveis, como salgadinhos, que possuem elevado teor de sal, colesterol e calorias; batatas fritas, bolachas recheadas. Com o tempo, a prática desses hábitos pode levar a criança à obesidade infantil, uma das doenças mais comuns hoje e causada, em boa parte, pelo sedentarismo. O sedentarismo é definido como a falta ou a diminuição da atividade física, associado à ausência da prática de esportes ou a qualquer outra atividade do cotidiano do indivíduo. Consideramos sedentário aquele que gasta poucas calorias por semana com atividades ocupacionais. Para deixar de fazer parte desse grupo, o indivíduo precisa gastar, no mínimo, 2.200 calorias por semana em atividades físicas.A vida sedentária provoca o desuso dos sistemas funcionais, ocasionando atrofia das fibras musculares, perda da flexibilidade articular e o comprometimento funcional de vários órgãos. Além disso, o sedentarismo pode levar a doenças como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, ansiedade, aumento do colesterol, infarto do miocárdio, além de ser considerado o principal fator de risco para a morte súbita.Por sua vez, a obesidade pode ainda causar problemas psicológicos como frustrações, infelicidade, além de uma gama enorme de doenças lesivas. A genética também é um fator para a obesidade, pois evidencia que existe uma tendência familiar muito forte para o distúrbio, na qual filhos de pais obesos têm 80% a 90% de probabilidade de serem obesos.A nutrição balanceada é, sem dúvida, o primeiro passo para se evitar o excesso de peso, pois uma criança superalimentada provavelmente será um adulto obeso. O consumo em excesso de alimentos nos primeiros anos de vida aumenta o número de células adiposas, processo irreversível, que é a causa principal de obesidade para toda a vida. É essencial que se tome por ponto de partida o acompanhamento alimentar rigoroso na infância, desde o nascimento. Além de uma reeducação alimentar, a criança deve começar a praticar alguma atividade física no dia-a-dia. É comprovado que uma criança fisicamente ativa tem grandes chances de se tornar um adulto ativo. Promover a prática regular de exercícios físicos na infância e na adolescência significa estabelecer uma base sólida para a redução do sedentarismo na idade adulta, contribuindo desta forma para uma melhor qualidade de vida. É importante lembrarmos que a prática regular de exercícios físicos não implica necessariamente no envolvimento em atividades de caráter competitivo, é necessário conscientizar as crianças e adolescentes que uma simples caminhada já pode trazer benefícios a saúde.A educação física escolar tem importante papel nesta missão, pois boa parte do dia de uma criança é passado na escola. Cabe aos pais a responsabilidade de dar o exemplo e criar oportunidades para que seus filhos possam ter uma prática regular de exercícios físicos extracurriculares, como a pratica de esportes como judô, futebol, ballet, entre outros, que além de evitar o sedentarismo e a obesidade, podem trazer outros benefícios para as crianças, como sociabilização, apresentações, competições, medalhas e etc.Não custa lembrar que exercício físico é coisa séria e, por isso, a orientação de um professor de educação física é essencial!

Viviane Tanese é professora de Educação Física do Colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida e também do Celfran - Centro Franciscano de Cultura, Esporte e Lazer.