Parte
integrante do currículo escolar no ensino fundamental do nosso pais, a educação
física, após muitas lutas e conquistas caminha para sua ressignificação e
reconhecimento. Depois de passar por várias tendências e concepções pedagógicas
como a busca de indivíduos fortes através de modelos ginásticos, o militarismo,
a influência do movimento político do Estado Novo na década de 30, a Escola
Nova na década de 40, a ênfase nos esportes na década de 70, ela busca sua
identidade e parece encontrar quando abrange os eixos da cultura do movimento
humano: lutas, dança e atividades rítmicas, esportes, jogos, brincadeiras e
conhecimento sobre o corpo.
Atualmente
a educação física está alinhada com o projeto político pedagógico da escola,
caminhando em harmonia com as demais disciplinas, conta com objetivos a serem
atingidos, expectativas de aprendizagem e instrumentos de avaliação.
Alguns
conteúdos trabalhados na educação física pode se relacionar à saúde, nesse
sentido não podemos fechar os olhos para o avanço galopante da obesidade entre
crianças e adolescentes no Brasil. Dados oficiais indicam que somos o pais onde
essa epidemia mais se desenvolveu. Nas últimas duas décadas os casos de
obesidade infantil em nosso pais apresentou um aumento de 240%, esse número é
cinco vezes maior do que os observados nos EUA, que atualmente ainda somam o
maior número de crianças obesas do mundo, porém se nada for feito por aqui esse
título nada honroso passará ao Brasil, em números percentuais.
A
LDB, Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional e nossa Constituição
Federal garante a toda criança o direito de frequentar a escola, direito que se
não for cumprido acarreta em punição aos seus responsáveis. Sendo assim, quase
que a totalidade das crianças frequenta a escola. Na infância criamos hábitos e
aprendemos sobre temas que nunca mais serão esquecidos se trabalhados de
maneira correta.
A
escola passa a ser o melhor local para identificar as crianças em situação de
sobrepeso e obesidade, ações mais contundentes de combate a esse problema não
seriam viáveis no ambiente escolar, pois trata-se de uma questão complexa e de
difícil tratamento que requer uma mobilização multidisciplinar, além disso a
educação física tem que dar conta dos seus conteúdos relacionados á
aprendizagem. Porém, a sondagem de peso e estatura e a classificação das
crianças conforme seu IMC (índice de massa corporal) é uma ação possível de ser
realizada pelo professor de educação física. Assim como ações direcionadas a
prevenção, que ao meu ver é a ferramenta mais importante de combate à obesidade
infantil.
A
educação física poderá ensinar os educandos sobre um estilo de vida saudável
onde a atividade física venha fazer parte do seu dia a dia, dessa forma a
criança apresentará maior possibilidade de se tornar um adulto fisicamente
ativo. Práticas esportivas voltadas à performance e desempenho, não contemplam
toda a gama de conteúdos da disciplina e talvez esse esporte trabalhado na
escola não seja mais praticado na idade adulta. Se as demais disciplinas buscam
criar hábitos, como o da leitura por exemplo, direcionando o aluno para a
autonomia nos estudos, a educação física da mesma forma deve buscar a autonomia
no campo motor, mas isso só será possível se houver uma fundamentação teórica.
O
sedentarismo é o responsável por grande parte dos casos de obesidade entre as
crianças, ações de combate a essa falta de atividade física poderão ser
trabalhadas na escola. A possibilidade de combinar aulas teóricas com vivências
práticas fazem da educação física uma disciplina privilegiada.
Trabalhar os
conteúdos relacionados à manutenção da saúde em forma de projeto envolvendo as
crianças no processo de aprendizagem, elaborando objetivos a serem atingidos,
estratégias de ensino, instrumentos de avaliação, confeccionando cartazes etc.
sem dúvida seria uma parceria motivante para construir conhecimento a respeito
do assunto. Quando a criança está envolvida na construção do projeto ela pode
apresentar resposta surpreendentes, a ideia é que o educando, além de
incorporar conceitos relacionados à importância da atividade física e da
alimentação saudável para nossa saúde, possa vivenciar experiências motoras
agradáveis, desvinculadas da performance que pode excluir determinadas crianças
com repertório motor restrito. Além disso, uma vez que ele fez parte da
construção desse projeto, o aluno se sente seguro e passa a ser um agente
multiplicador das aprendizagens ocorridas no ambiente escolar.
Portanto, a
escola parece ser um lócus privilegiado
para coes preventivas da obesidade
infantil, também muito importante no sentido de identificar, através de
sondagem, as crianças que estão em sobrepeso ou já desenvolveram a obesidade.


